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A adopção de animais de estimação – um acto de responsabilidade
A relação próxima dos seres humanos com outros animais, ditos de estimação, perde-se nos tempos. Mesmo antes de se praticar agricultura já os cães acompanhavam os humanos tendo direito ao seu quinhão de alimentos e carinho, correspondendo sem dúvida com o seu trabalho e dedicação. Os gatos começaram a ser domesticados mais tarde. Consta que aconteceu no Egipto onde os seus serviços de grandes caçadores de ratos foram tidos em alta conta e a grande deusa gata, Basket, ilustra bem o fascínio que os felinos exerceram (e continuam a exercer) na humanidade.
Entre humanos e animais há uma relação de mútuo interesse mas também de curiosidade, respeito e amor. O primeiro lobito a ser domesticado ao cheirar a mão humana confiou, o primeiro humano a dar a sua mão a cheirar mostrou-se digno dessa confiança.
A relação da sociedade com os animais mudou consoante as épocas, os locais e, claro está, os indivíduos. Na nossa sociedade actual existe um pouco de tudo, desde os que respeitam todas as formas de vida aos que traduzem a sua violência sobre os que não se podem defender. A lei é contraditória pois embora reconheça alguns direitos aos animais, ao mesmo tempo trata-os como meros objectos transaccionáveis e de valor relativo. Quando se procura fazer valer os poucos direitos dos animais a pouca legislação que existe quase nunca é realmente aplicada. E é neste triste estado de coisas, em que vivemos e em que vão sobrevivendo os animais de companhia.
Se todos os donos assumissem as reais responsabilidades para com os seus animais acredito que em pouco tempo o problema com os animais abandonados e sem dono estaria resolvido. Um animal de estimação necessita de:
- Um espaço onde viver. De preferência com uma área que lhe permita fazer exercício ou então que seja passeado com frequência. Algum conforto nas suas instalações, um sítio seco e que proteja do frio e do calor excessivos onde se possa abrigar;
- Comida adequada em quantidade e qualidade a todas as fases da sua vida, água fresca sempre disponível;
- Desparasitação, vacinação e tratamentos veterinários adequados;
- Controlo adequado da reprodução;
- Tempo, paciência, amor, compreensão, empatia e educação.
Um animal não é certamente um objecto inanimado que pode ser descartado sem pesos na consciência ou com falsas lágrimas. Também não é um resíduo sólido como o costumam considerar as autarquias. Quando a vida se complica devem procurar-se soluções para nós e para os seres que de nós dependem, abandonar nunca deveria ser sequer uma opção. Ao adoptar um lindo gatinho e cachorrinho deve-se pensar que eles podem durar até 20 anos. Que precisam de investimento a vários níveis. Que tal como têm uma juventude terão uma velhice. Que exigem atenção e tempo. São seres vivos, podem não pensar, mas certamente sentem e não merecem sofrer o abandono.
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